
Foi um encontro histórico para a cultura de Alta Floresta e da Amazônia mato-grossense. Pela primeira vez, o município recebeu a visita de um presidente da Fundação Nacional de Artes (Funarte). Na abertura do 11º Festival de Teatro da Amazônia Mato-grossense (FTAM), o Teatro Experimental de Alta Floresta (TEAF) acolheu Leonardo Lessa, que conheceu o Espaço Cultural TEAF e dialogou com integrantes do grupo sobre uma trajetória construída ao longo de 38 anos de trabalho contínuo, marcada pela formação, produção, circulação e democratização do acesso ao teatro na região, e coroada com a realização de mais uma edição de um Festival já reconhecido nacionalmente.
“Receber Leonardo Lessa em Alta Floresta reafirma a relevância do trabalho do TEAF e a convicção de que investir na permanência dos grupos culturais é investir no acesso à arte, na formação de públicos e no desenvolvimento dos territórios. Essa visita é também um reconhecimento do nosso trabalho”, afirma o presidente do TEAF, Mequiel Zacarias Ferreira. E o reconhecimento chegou no momento em que o Festival colheu resultados expressivos. Realizada entre 29 de julho e 9 de agosto, a 11ª edição somou cerca de 3.000 espectadores ao longo de 21 apresentações, reunindo 15 grupos das cinco regiões do Brasil, além do próprio TEAF, que participou com um dos espetáculos de seu repertório.

Léo Lessa dialogou com o grupo e conheceu a Sede do Espaço Cultural TEAF (Fotos: @mequiel)
A programação ocupou cinco espaços em dois municípios: o Espaço Cultural TEAF (sede), o Teatro Agostinho Bizinoto, a Praça da Paróquia Bom Pastor e a Praça Cívica, em Alta Floresta, além do Assentamento São Pedro, em Paranaíta. Além da diversidade de lugares, o TEAF busca sempre garantir o acesso e a pluralidade da sua programação. Nesta edição, foram cinco espetáculos com interpretação em Libras, além de sessões matinais dedicadas a estudantes e à comunidade local e de uma programação que atendeu da primeira infância (teatro para bebês) aos adultos, passando por crianças, adolescentes e jovens, com obras de classificação indicativa livre até 18 anos.
As trocas entre artistas e público ganharam espaço nas três Tertúlias Teatrais, já tradicionais do Festival. O 11º FTAM contou com a presença de 46 artistas em cena e 31 técnicos das companhias convidadas, com o suporte de 6 técnicos da casa e 8 voluntários da Escola Livre de Teatro do TEAF, que se dedicaram durante toda a programação.
Paralela às apresentações, a Mostra de Artes Integradas “Espaço Livre” transformou o TEAF num ponto de convivência e valorização da produção local: foram 19 artistas e grupos artísticos, 5 artesãos e artesãs e 36 atividades e ações fixas, entre elas a Lojinha do TEAF, a Exposição Fotográfica dedicada ao zogue-zogue-de-Alta-Floresta, a Cozinha Raiz e o Café com Arte do Siscos – Edição Festival.
Nesse sentido, é importante destacar que escolher o zogue-zogue-de-Alta-Floresta (Plecturocebus grovesi) como símbolo desta edição é também um gesto de compromisso com a vida e com a floresta. Conforme explica Mequiel, que também é o fotógrafo da Exposição, “criticamente ameaçado pela fragmentação de seu habitat, provocada pelo avanço do desmatamento e da fronteira agrícola, esse primata depende das copas das árvores para viver, deslocar-se e formar seus laços familiares. Curiosamente, ele também habita os fragmentos florestais que cercam a sede do Espaço Cultural TEAF, tornando-se um vizinho muito especial do Festival”. O fotógrafo ainda enfatiza: “Assim como o teatro cria pontes entre pessoas, territórios e imaginários, desejamos que o zogue-zogue-de-Alta-Floresta seja reconhecido e cuidado pela população e nos inspire a fortalecer as conexões entre cultura, ambiente e conservação, reafirmando que proteger a Amazônia é também preservar as narrativas que fazem deste lugar um território único: nossa casa”. Durante a exposição, o Festival também teve a honra de receber a Drª Fernanda Abra e parte da equipe Reconecta, que visitaram a exposição e também dialogaram com o público presente sobre a importância da conservação da espécie e do Projeto Alta Floresta Não Atropela.
Ao reunir grupos de oito estados, de norte a sul do país, no coração da Amazônia mato-grossense, e ao receber o dirigente máximo da principal instituição federal de fomento às artes, o 11º FTAM reafirmou o teatro como direito e a cultura como caminho de desenvolvimento para as pessoas e os territórios. O Festival é uma realização do TEAF, com fomento da Secretaria de Estado de Cultura, Esporte e Lazer de Mato Grosso (SECEL/MT), por meio do Termo de Fomento nº 1705-2025. A edição contou ainda com o apoio das Prefeituras de Alta Floresta e de Paranaíta, cujas colaborações se deram com o transporte de grupos e de público, a alimentação de artistas e equipes e a articulação junto às instituições de ensino, que assegurou a presença de estudantes nas sessões, sobretudo nas matinais e no Assentamento São Pedro, em Paranaíta.
Com o encerramento da 11ª edição, o TEAF não interrompe o ritmo: o grupo já se dedica à articulação e à captação de recursos para viabilizar a 12ª edição do Festival de Teatro da Amazônia Mato-grossense, fortemente motivado pela presença da Funarte e por toda a recepção do público e dos parceiros ao longo de 2026.


A diversidade de programação possibilitou o acesso de diversos públicos e segmentos (Fotos: Júlia Fernanda)
Mequiel Zacarias Ferreira / ASCOM-TEAF